Para além de estar perto

Era noite e o lugar, totalmente estranho. Parecia um sítio, uma chácara, mas ao invés de casa, um galpão grande com uma luz branca muito forte – daquelas que me incomodam e sai exterminando da Tasca. Estaríamos acampando? Ao mesmo tempo, acho que não havia barraca, mas um colchão – no tal galpão? Parecia um quarto e era, de fato, mais escuro. Mas o colchão era inflável. Eu acho.

Pede cachimbo

Como as bordas a mais e os quadros a menos, o plano não era esse. Em nosso privilégio, porém, o calor da lareira daria lugar a novas histórias, que pelo preço do euro, e pela falta de tempo, certamente não enfeitariam a casa; tampouco, ocupariam espaço no revisteiro, onde repousam os álbuns. Ficariam abrigadas nos diários (que permaneceram em branco); nos cartões de memória, revelados somente por um ‘storie’ ou ‘post’ de uma rede social. Sempre foi assim, ou, pelo menos, desde que me lembro...

Noturno

Harmonizamos bile, com vinho tinto e chocolate amargo, enquanto tentamos engolir as tristes notícias e as infelizes colocações de quem deveria zelar pela população. Ainda assim, vesti verde. Troquei a festa pelo início de um Ulysses – a literatura como âncora da sanidade. Na falta de coragem e condição para escrever palavra, deixo um frustrado Joyce [...], lembrar e celebrar a sua terra.